"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 1 de outubro de 2016

LULA PEDIU À ODEBRECHT "CONTRATAÇÃO" DE SEU SOBRINHO VIDRACEIRO, DIZ EX-DIRETOR

Para agradar Lula, a Odebrecht enriqueceu Taiguara

Desde que Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho do ex-presidente Lula, foi conduzido coercitivamente para depor em razão de seu súbito enriquecimento, uma luz vermelha se acendeu: como um ex-vidraceiro conseguiu tornar-se sócio de uma empresa com contratos internacionais? A suspeita de que Lula, o tio, estava por trás da crônica de sucesso começa a ser desvendada. As investigações policiais colheram indícios de que o ex-presi­dente ajudou o sobrinho a enriquecer numa triangulação que envolvia financiamentos do BNDES, lobby para a Odebrecht e contratos de obras internacionais. Com isso, a PF está pronta para mais um indiciamento de Lula — desta vez, por tráfico de influência.

Tudo começou em maio passado, quando a Polícia Federal cumpriu um mandado de condução coercitiva de Taiguara, suspeito de ser laranja de Lula. Na época, o ex-presidente empenhou-se em proteger o sobrinho, cuja defesa ficou a cargo — graciosamente — do advogado Roberto Podval. Deu resultado até aqui, mas as versões estão ruindo. O ex-diretor da área internacional da Odebrecht Alexandrino Alencar, ao negociar seu acordo de delação, afirmou que Taiguara foi contratado pela empreiteira a pedido de Lula.

AJUDA DO BNDES – A contratação, revelada por VEJA em fevereiro de 2015, ocorreu no mesmo ano em que o BNDES aprovou um financiamento para a empreiteira construir a hidrelétrica de Cambambe, em Angola. Foi nessa obra que Taiguara prestou serviço à construtora e recebeu 3,5 milhões de reais. Antes de virar parceiro de negócios da Odebrecht, Taiguara era dono de uma pequena vidraçaria. Transformado em empreiteiro de uma hora para a outra, comprou uma cobertura, enamorou-se por carrões e ostentou riqueza nas redes sociais. Na esteira das viagens internacionais do tio Lula, prospectou negócios na América Central e na África. Taiguara sempre negou qualquer favorecimento da Odebrecht.

Alexandrino Alencar tem autoridade para estabelecer o elo entre Taiguara e Lula. Ele acompanhava o ex-­presidente nas viagens internacionais. E foi quem convidou Taiguara para fazer parte da comitiva que visitou o Porto de Mariel, em Cuba, outra obra construída pela Odebrecht com financiamento do BNDES.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – O testemunho de Alexandrino Alencar, que terá de ser provado caso a delação seja homologada, é reforçado pela PF. Depois de nove meses de investigação, a polícia concluiu que Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht junto ao BNDES e a autoridades estrangeiras. Os delegados avaliam se o ex-presidente também pode ser enquadrado por corrupção.

Um relatório da PF ao qual Veja teve acesso diz que há “indícios de vantagens auferidas pelo ex-presidente e seus familiares em decorrência de supostos serviços prestados”. Formalmente, a empreiteira contratava Lula para dar palestras no exterior e pagou-lhe, contando os repasses a seu instituto, 7,6 milhões de reais. Na prática, a polícia acredita que as palestras eram cobertura para o lobby que Lula fazia para a construtora em países como Angola, Cuba, Panamá e República Dominicana.


01 de outubro de 2016
Daniel Pereira e Thiago Bronzatto
Veja

COMO A CRIMINALIDADE TOMOU CONTA DO BRASIL, A PENA DE MORTE SERIA BEM-VINDA


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Charge do Duke (dukechargista.com.br)












O desemprego aumentou nesses últimos dias – Porto Alegre bateu  seu recorde semana passada, com mais de duzentos mil desesperados. Da mesma maneira, cresce a inadimplência, chegando a quase 60% as famílias endividadas, sem poderem pagar seus compromissos, e colaborando sobremaneira para o sofrimento do cidadão brasileiro. Percorre as redes sociais a imagem de um professor universitário e analista de sistemas, 61 anos, pedindo emprego nas sinaleiras (vocês chamam de faróis ou semáforos), nas esquinas mais movimentadas, se não me engano de São Paulo, simbolizando o abandono do povo pelos governos do PT e PMDB, que trataram somente de roubar o Brasil e se preocupar com a política, o poder, enquanto a nação e a cidadania decaíam vertiginosamente!
Os roubos que os petistas perpetraram, pois diariamente vêm à tona escândalos com os valores desviados do erário, me causam tanto ódio que – peço perdão a Deus – eu hoje seria favorável à pena de morte!
A China, a potência que mais cresce no mundo, somente mantém sob relativo controle sua corrupção através de medidas de exceção, para se desenvolver sem que os recursos públicos fossem transferidos para as mãos de traidores e ladrões, exatamente o que acontece conosco, pois os cofres estão vazios porque o dinheiro foi levado pelos governantes, parlamentares e empresários desonestos.
NÃO HÁ REAÇÃO – A situação é caótica, e muito mais grave porque sabemos quem é o inimigo, mas o deixamos absolutamente à vontade para suas manobras, seus cercos às nossas vidas, suas pilhagens, e sequer usamos fundas, estilingues, bodoques, para impedi-los de continuar nesta fácil ocupação de nossas existências!
O brasileiro se deixou mais facilmente vencer que a França, quando esta se rendeu humilhantemente aos alemães, que entraram triunfalmente em Paris, depois de enganá-la que atacariam pelo norte, onde estava a famosa e inútil Linha Maginot, porém os nazistas investiram pelas Ardenas, na Bélgica, e surpreendendo o desatento comando militar francês.
ESTAMOS DISTRAÍDOS – Pois exatamente dessa forma que nos encontramos, distraídos, enquanto os políticos e empresários mercenários nos invadem o território e roubam o que temos, e sequer tentamos nos defender, ao contrário, facilitamos mais ainda seus objetivos, diante da falta de protestos contra seus enriquecimentos pessoais, como escárnio à saga do brasileiro.
Se não lutarmos contra esta exploração não podemos ser chamados de povo, mas um bando de gente desorganizada, desinteressada, irresponsável consigo mesma, e sem se preocupar com o futuro, inclusive de seus filhos. Esta é a realidade.

01 de outubro de 2016
Francisco Bendl

ELEIÇÕES EM ALAGOAS: IRMÃO DE RENAN CHAMA DE MARGINAL PROMOTOR QUE DENUNCIOU ALIADO

MP DENUNCIOU ALIADO DE DEPUTADO POR 22 CRIMES EM MONTEIRÓPOLIS

ASSOCIAÇÃO DO MP DE ALAGOAS LAMENTOU QUE OLAVO ATAQUE QUEM COMBATE A CORRUPÇÃO (ASCOM ALE E MP)

Irmão do presidente do Senado Renan Calheiros, o deputado estadual Olavo Calheiros, também do PMDB, atacou um integrante do Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL), ao discursar no palanque de seu candidato a reeleição para a Prefeitura de Monteirópolis, Elmo Medeiros (PMDB), afastado do cargo de prefeito há 12 dias, após denúncia de corrupção feita pelo promotor de Justiça Luiz Tenório Oliveira de Almeida, alvo dos insultos.

Ao pedir votos para o prefeito do PMDB acusado de 22 crimes, Olavo Calheiros dirigiu uma série de injúrias ao promotor integrante do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc). 
Durante o comício de seu candidato Elmo Medeiros, na noite de segunda-feira (26), o tio do governador Renan Filho (PMDB) acusou o de perseguir o atual prefeito, porque o gestor teria negado um suposto pedido de contratação do filho do promotor para prestar consultoria para o Município.

A reação do MP veio nesta sexta-feira (30), com a publicação de nota em que a Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal) não só apoia a atuação do promotor Luiz Tenório no combate à corrupção, como afirma que Olavo Calheiros agiu de forma leviana e desesperada no comício, diante do resultado de investigações que evidenciaram condutas caracterizadoras, em tese, de crimes supostamente praticados pelo prefeito apoiado pelo clã Calheiros.

Veja o momento do ataque no vídeo divulgado pelo portal Correio Notícia:

Deputado chama promotor de marginal, vigarista, aloprado ... - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=FgCLxz3COiA
2 dias atrás - Vídeo enviado por Correio Notícia
Deputado chama promotor de marginalvigaristaalopradoirresponsável e degenerado. Correio ...

O destempero de Olavo Calheiros já o levou a protagonizar outro momento vergonhoso para os alagoanos, quando tentou agredir um repórter do programa CQC, quando questionado sobre o destino de recursos da Assembleia, há cerca de três anos.

O Diário do Poder não conseguiu contato com Olavo Calheiros nem com seu candidato em Monteirópolis.

ELMO MEDEIROS FOI AFASTADO PELO TJ Os motivos do ataque

A Ampal evidencia que o prefeito e mais 11 pessoas foram denunciados pelo promotor, em ação penal também assinada pelo chefe do MP, Sérgio Jucá, e pelo Gecoc, em julho deste ano. 
A acusação é do cometimento de 22 crimes, que somam prejuízo de R$ 2,5 milhões aos cofres de Monteirópolis entre 2013 e 2015, envolvendo contratos de locação de veículos e aquisição de combustíveis.

O prefeito Elmo Medeiros foi afastado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) em 19 de setembro. E disputa eleição contra Maílson Mendonça (PR) e Carlos Roberto Tenório (PPS).

A nota finaliza lamentando que Olavo não lute contra a corrupção e atue contra quem a combate.

Veja o trecho final da nota da Ampal:

“A veiculação das agressões nas redes sociais dão conta de sua ira contra Luiz Tenório, que participou da equipe de promotores que investigou os fatos nos quais o referido prefeito está envolvido como possível autor de inúmeras condutas criminosas.

Os integrantes do MP têm sofrido ataques , não pelos seus erros, mas pelos seus acertos. Eles atuam com coragem e determinação, sem se deixarem amedrontar pelas ameaças ou pelos destemperos de inimigos declarados ou disfarçados.

Por isso, a Ampal repudia veementemente toda e qualquer agressão que venha macular a lisura, a honestidade, a imparcialidade e a correção de postura do referido Promotor de Justiça Luiz Tenório, e lamenta a atitude do deputado Olavo Calheiros, que, ao invés de lutar contra a corrupção e a impunidade, expõe-se publicamente contra aqueles que as combatem”.


01 de outubro de 2016
Davi Soares
diário do poder

BAIANO CONFIRMA DENÚNCIA CONTRA FILHO DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

DELATOR RELATA 'ORDEM SUPERIOR' PARA BENEFICIAR EMPRESA LIGADA A PAULO HENRIQUE

FERNANDO BAIANO, APONTADO COMO OPERADOR DE PROPINAS DO PMDB, DISSE À FORÇA-TAREFA QUE COM ESTE EPISÓDIO, SUPOSTAMENTE OCORRIDO EM 2000, 'COMEÇOU A ENTENDER COMO AS COISAS FUNCIONAVAM' NA PETROBRÁS (FOTO: REPRODUÇÃO)

Mais um delator da Lava Jato relatou aos investigadores que a Petrobrás teria recebido ‘ordem superior’ para beneficiar uma empresa ligada ao filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na Petrobrás.

Em depoimento à força-tarefa que foi anexado à ação penal da Lava Jato contra o ex-presidente Lula, o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano – suposto operador de propinas do PMDB –, contou que foi com este episódio, ocorrido no ano 2000, que ele começou a entender ‘como as coisas funcionavam’ na estatal petrolífera.

O caso envolvendo a associação da PRS Energia com a Petrobrás para gerir a Termorio, maior termoelétrica a gás do Brasil, construída pela multinacional francesa Alstom e que custou US$ 715 milhões, já foi relatado pelo ex-diretor Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró em sua delação.

A história foi rechaçada por FHC e seu filho, e também por Felipe Reichstul, presidente da Petrobrás na época.

Na ocasião, representante do Brasil da espanhola Union Fenosa, Fernando Baiano contou que quase chegou a fechar o negócio de interesse da empresa com a Petrobrás, inclusive levando o presidente e um diretor da companhia para firmar o acordo na estatal petrolífera.

O lobista conta, então, que foi surpreendido por Cerveró e pelo ex-líder do Governo no Senado Delcídio Amaral (ex-PT/MS), na época diretor de Gás e Energia da estatal por indicação de FHC e atualmente delator na Lava Jato também, durante essa reunião na estatal.

“Me chamaram (Nestor Cerveró e Luís Carlos Moreira, então gerente da diretoria) e falaram ‘a gente está com problema, não vamos poder assinar esse memorando de entendimento'”, disse Baiano.

O lobista relatou que, ao cobrar explicações sobre a decisão da Petrobrás de não fechar o negócio com a Union Fenosa, teria ouvido sobre a existência de uma ‘ordem superior’, que lhe foi explicada por Delcídio.

“Depois (que Cerveró comentou sobre a ‘ordem superior’) chegou o diretor Delcídio dizendo que tinha recebido uma ordem superior para assinar com um fundo americano, que esse fundo que ia ser sócio, era uma empresa americana e um fundo americano que estariam entrando no negócio”, relatou Baiano.

“Pô, mas os caras vieram aqui para isso o que está acontecendo?”, teria indagado Fernando Baiano.

“É ordem de cima lá da presidência (da Petrobrás) porque quem representa esses dois grupos aí é o filho do presidente Fernando Henrique”, disse Delcídio, segundo o lobista.

Na versão de Cerveró, Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC, era o sócio da PRS Energia, que acabou se associando à Petrobrás no negócio e vendendo sua participação de 7% na Termorio para a estatal em 2003 pelo valor na época de US$ 19 milhões.

Segundo o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Henrique Cardoso ocupava, inclusive, cargo de diretor na PRS para ‘pressionar o negócio’.

“O Paulo Henrique Cardoso era um dos diretores, ele foi colocado ali como elemento de pressão, não sabia nem o que era uma termelétrica”, afirmou Cerveró em seu depoimento.

Na versão de Fernando Baiano, contudo, o filho do ex-presidente seria o representante de um fundo e uma empresa americanos que o delator não nomeia. 
“A partir daí, eu comecei a entender mais ou menos como as coisas funcionavam na Petrobrás, ou seja ali tudo tem uma indicação”, contou o lobista.

Ele disse, ainda, que no começo atuava apenas como representante de empresas na estatal e só passou a operar propinas com o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, nomeado para o cargo em 2004, no primeiro mandato do governo Lula, por influência do PP.

Quando veio à tona a delação de Cerveró, Paulo Henrique Cardoso afirmou, por meio de sua assessoria de empresa, que não conhece e nem possui qualquer relação com a PRS Energia.

Em relação à versão de Baiano, ele afirmou ser ‘fantasiosa’ e que nunca representou nenhum fundo americano.

A reportagem entrou em contato via e-mail com a defesa de Cerveró para comentar o caso, e a advogada do ex-diretor, Alessi Brandão afirmou que não há “nenhuma discrepância” entre os dois depoimentos.

A defesa de Delcídio não foi localizada para comentar o episódio. (AE)



01 de outubro de 2016
diário do poder

TRATAMENTO DIFERENCIADO

DILMA FUROU FILA DO INSS PARA SE APOSENTAR UM DIA DEPOIS DO IMPEACHMENT
SERVIDORES FORAM AFASTADOS E MINISTÉRIO INVESTIGA CASO

DILMA SE APOSENTOU EM MENOS DE 24 HORAS, ENQUANTO QUE A MÉDIA NO PAÍS É DE 74 DIAS, SEGUNDO O INSS (FOTO: MARCOS OLIVEIRA/AG. SENADO)


O Ministério do Desenvolvimento Social informou neste sábado, 1, que afastou o ex-ministro petista Carlos Gabas e outros dois servidores de carreira do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para investigar a conduta deles em um suspeito tratamento diferenciado para a aposentadoria da presidente cassada Dilma Rousseff pelo instituto.

Segundo reportagem da revista “Época”, Dilma se aposentou menos de 24 horas depois de ter assinado, em 31 de agosto, a notificação do Senado que oficializava que o impeachment tinha sido aprovado. Ela obteve a remuneração mensal de R$ 5.189,82, teto da Previdência.

O tempo médio de espera para se aposentar no Brasil é de 74 dias, segundo o INSS. Em Brasília, onde o pedido de Dilma foi deferido, é de 115 dias.

O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Alberto Beltrame, determinou ao INSS, vinculado à Pasta, que abra sindicância interna para apurar a responsabilidade de Gabas e de Iramo da Costa Coelho e Fernanda Cristina Doerl dos Santos. Segundo a “Época”, Gabas – que foi ministro de Dilma e é servidor de carreira do INSS – acompanhou uma mulher munida de procuração de Dilma para fazer o pedido da aposentadoria em uma agência do instituto em Brasília. O chefe da agência, Iracemo da Costa Coelho, foi responsável pelo atendimento.

Fernanda foi responsável, segundo a revista, por fazer 16 alterações no cadastro da ex-presidente em 10 de dezembro do ano passado, oito dias depois que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que havia aceitado o pedido de impeachment da presidente. Ela exercia uma função gratificada na Diretoria de Atendimento do INSS, na sede do órgão em Brasília.

Segundo o ministério, os três foram afastados dos cargos de origem para que não possam interferir no andamento das investigações. O INSS também deve pedir o acompanhamento dos órgãos de controle para a verificação dos fatos e eventual ilegalidade nas alterações cadastrais da ex-presidente. Coelho e Fernanda vão ser dispensados dos cargos de confiança que ocupam. A decisão será publicada no Diário Oficial da União de terça-feira. (AE)



01 de outubro de 2016
diário do poder

CAOS ECONÕMICO: GASTOS COM SERVIDORES INATIVOS NOS ESTADOS VÃO A R$ 77 BILHÕES

EM MEIO À RECESSÃO, GOVERNADORES SENTEM PRESSÃO DA FALTA DE DINHEIRO

ENTRE 2009 E 2015, PAGAMENTOS DE APOSENTADORIAS E PENSÕES SUBIRAM 64% ACIMA DA INFLAÇÃO, ENQUANTO OS SALÁRIOS DA ATIVA CRESCERAM 43% (FOTO: EBC)


Passando por crise financeira sem precedentes, os Estados tiveram de arcar com o crescimento real de 64% dos gastos com o pagamento das aposentadorias e pensões de seus servidores entre 2009 e 2015. O levantamento, feito a partir de dados encaminhados ao Ministério da Fazenda pelos próprios Estados, foi apresentado esta semana pela secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, em evento dirigido a economistas e analistas do mercado financeiro.

A secretária reforçou a necessidade “inexorável” de controle dos aumentos salariais, que “trazem impactos atuariais” nem sempre percebidos. Ana Paula lembrou que, na média, o número de servidores ativos nos Estados permaneceu estável entre 2009 e 2015, mas as despesas com inativos saltou de R$ 47 bilhões para R$ 77 bilhões no período.

A explosão do déficit previdenciário está no centro da crise estrutural que os governadores estão tendo de administrar em meio à recessão da economia, que derrubou a arrecadação de impostos. Os secretários de Fazenda dos Estados já começaram a discutir, nos últimos dias, medidas que possam ser adotadas para retardar a aposentadoria de seus servidores e restringir os benefícios, além de alternativas para aumentar a receita.

Os números compilados pelo Tesouro mostram que as despesas dos Estados com os inativos são, em média, 2,01 vezes superiores à arrecadação previdenciária anual. No Rio de Janeiro, Estado com a pior situação, os gastos superam em 3,39 vezes as receitas. O estudo foi apresentado pela secretária, em São Paulo, em evento organizado pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso.

De acordo com o Tesouro, ao longo desses anos, a folha dos Estados registrou um crescimento acima da inflação em 43%, enquanto o serviço da dívida subiu no período 15%. A evolução dos gastos com pessoal aponta para forte aceleração nesses seis anos, saltando de 4,85% para 5,38% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Os Estados estão preocupados em se voltar também para reformas estruturais, como a da Previdência, questões que tangenciam os regimes próprios. Temos preocupação de fazer convergir as regras”, disse a secretária ontem. “Existe, sim, um espaço para protagonismo estadual, e também municipal, nessas questões, e acho que isso tem de ser considerado.” (AE)



01 de outubro de 2016
diário do poder

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CLAUDIO HUMBERTO

TURISTA DE 86 É TRATADA COMO BANDIDA NA ALFÂNDEGA
A advogada Mariana Cavalcante e sua avó de 86 anos, em cadeira de rodas, foram tratadas como criminosas na alfândega do Galeão (RJ). Funcionários do aeroporto e testemunhas acusam a auditora fiscal Maria Lúcia Lima Barros de ser conhecida por “escolher” um passageiro por voo para tratá-los com deboche e até grosserias. Indignada, Mariana vai processá-la por danos morais e até mesmo na esfera criminal.

SÓ NO BRASIL
O Brasil continua sendo o único País a tratar como bandidos, suspeitos de contrabando, seus próprios nacionais que retornam do exterior.

EM LUGAR NENHUM
Não se conhece país democrático que submeta seus nacionais a revista humilhante de bagagem, e ainda os trate até com deboche.

BULLYING BUROCRATA
Avó e neta só foram liberadas após deixarem as malas “sob custódia” da burocrata que as submeteu a mais de quatro horas de bullying.

FALA A CORPORAÇÃO
A Receita alega que a advogada e mãe de 86 anos traziam “muitas roupas” que “pareciam” ser de grife. E ainda isenta a colega, claro.

BRASIL SE DESCULPA AO VIETNÃ POR GROSSERIA DE DILMA
Por orientação do presidente Michel Temer, o ministro Blairo Maggi (Agricultura) sepultou um impasse diplomático com o governo do Vietnã, que se arrastava desde 2013, provocado por uma grosseria da ex-presidente Dilma: ela cancelou de última hora uma audiência para receber Nguyen Phu Trong, herói do Vietnã e líder máximo do Partido Comunista, que veio ao Brasil sob a garantia de que seria recebido.

GESTO HUMILHANTE
O episódio em Brasília representou grande humilhação para Nguyen Phu Trong e o Vietnã, que o tem como uma espécie de “semideus”.

DIPLOMACIA DE MENTIRINHA
O Itamaraty divulgou a lorota de que o ex-chanceler Antonio Patriota foi a Hanoi pedir desculpas. Mas, se ele fez isso mesmo, de nada adiantou.

AGORA, TUDO BEM
Em visita real a Hanói, Blairo Maggi pediu desculpas e acabou homenageado por Nong Manh, sucessor de Nguyen Phu Trong.

PARTIDO DO XILINDRÓ
Aliás, a situação do PT é tão ruim que faz lembrar a frase profética do saudoso jornalista Joelmir Beting, que há anos avisou: “O PT começou com presos políticos e vai terminar com políticos presos”.

QUANTA DIFICULDADE...
O Tribunal de Contas do DF se sentou em duas licitações milionárias: desde maio, uma de R$ 555 milhões que trata de vigilância para todo o governo. Outra, de R$ 250 milhões, desde o início de agosto, trata de alimentação para a rede hospitalar. Para o TCDF, não há atraso. Claro.

BARRADO NO BAILE
O mais provável presidente do Senado a partir de 2017, Eunício Oliveira (PMDB-CE) não foi convidado para o jantar no Alvorada, terça. Parece que o atual ocupante do cargo, Renan Calheiros, tem a ver com isso.

VOTO ÚTIL
Pesquisa Ipsos em nove regiões metropolitanas revela que, quanto menos anos de estudo e menor a classe social do eleitor, maior a disposição de votar no candidato com mais chances de vencer.

VOTO INÚTIL
Entre os pesquisados pelo Ipsos das classes C e D, 18% concordam com a frase “Eu voto no candidato que vai ganhar para aproveitar meu voto”. O Estudo Geral de Meios entrevistou 31.096 eleitores brasileiros.

AMARELOU
Em Chapecó (SC), berço do MST, o candidato a prefeito Cesar Valduga (PCdoB) esconde a participação de Dilma Rousseff. Aposentou a cor vermelha e usa o número 65 imitando estilo do candidato 45, do PSDB.

TERRA É 60
O ministro Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário) virou canal entre PMDB e PSDB, no governo Michel Temer. No Planalto, diz-se que o ministro é 60: soma do 15 do PMDB com o 45 do PSDB.

AUMENTA REJEIÇÃO
A reeleição dos prefeitos que disputam novo mandato deve variar de 55% a 65%, segundo as pesquisas. Em 2012, somente metade dos prefeitos que buscaram a reeleição tiveram sucesso nas urnas.

PERGUNTA SUPREMA
“Tropeço na democracia” foi o impeachment de Dilma, como o definiu Ricardo Lewandowski, ou o julgamento da petista ter sido presidido por um juiz simpático à ré?

PODER SEM PUDOR
O CEGUINHO DO SENADO
Como se não tivesse o que fazer, um grupo de senadores conversava certa vez sobre a notícia de que a cegueira pode ser um efeito colateral para cardiopatas que misturam seus remédios com Viagra - a alegria de homens com disfunções eréteis. O saudoso senador ACM brincou:
- É por isso que já estou aprendendo braile...


01 de outubro de 2016
claudio humberto

SUCESSO DO PREFEITO DEPENDE DA BUROCRACIA

Escolher um bom candidato a prefeito é o primeiro passo, mas não é suficiente para se ter um bom governo municipal. Os eleitos em 2016 terão de contar com outros elementos para seu sucesso, e um dos mais relevantes é o da qualidade da burocracia de sua cidade. Mesmo aqueles que defendem uma concepção de Estado menor dependerão de funcionários públicos qualificados para levar adiante os seus planos. Isso pode parecer óbvio, caro leitor, porém este tema tem sido solenemente ignorado ao longo da campanha e dos debates.

Desde os estudos clássicos de Max Weber e Woodrow Wilson sabe-se que a burocracia é uma peça-chave nos governos contemporâneos. Os políticos tomam as principais decisões sobre a agenda pública, dada a legitimidade democrática que têm. A formulação e a implementação das políticas, entretanto, passam fortemente pela capacidade técnica e gerencial dos burocratas de carreira e dos principais assessores.

No Brasil, a história da qualificação da administração pública é bastante truncada e ambígua. Nos primeiros cem anos do país vigorava, quase integralmente, o loteamento do Estado pelo patrimonialismo. A primeira grande mudança ocorreu na década de 1930, com a criação do Dasp, que procurou introduzir o princípio da meritocracia, basicamente para os setores estatais voltados ao desenvolvimento econômico. Em todo o restante ainda prevalecia a distribuição de cargos em nome do clientelismo e fisiologismo.

A mudança feita pelo Dasp foi, na verdade, lenta e incompleta. O buraco maior da administração pública estava nos Estados e, principalmente, municípios, onde, na imensa maioria dos casos, o patrimonialismo era a marca. A Constituição de 1988 começou a mudar essa situação, ao ampliar o uso do concurso público e tornar necessárias, a todos os níveis de governos, outras medidas de profissionalização da administração pública. De lá para cá, a situação administrativa dos municípios melhorou, tornando-os um elemento central do welfare state brasileiro.

Mas a realidade da maioria das municipalidades ainda é preocupante. A maior fragilidade da burocracia está, geralmente, nos pequenos municípios das regiões mais pobres. Contudo, as cidades em áreas metropolitanas enfrentam problemas bem mais complexos e normalmente têm uma estrutura administrativa que está bem aquém do necessário.

O desafio hoje é ampliar três processos de modernização das administrações públicas locais que já foram iniciados no país. O primeiro é o da expansão da profissionalização da burocracia, fortalecendo tanto as carreiras estratégicas no campo da gestão, como as áreas responsáveis pela implementação das políticas sociais, valorizando professores, médicos e outros burocratas que atendem ao público. Cabe ressaltar que seria interessante também criar processos transparentes de seleção meritocrática do alto escalão dos governos locais.

Um segundo foco de mudança deve ser o aprofundamento dos instrumentos de democratização dos municípios. Isso passa pelo fortalecimento das arenas de participação e pela maior transparência dos dados e atos governamentais –o chamado Governo Aberto. E como corolário da melhoria da burocracia local, é fundamental utilizar ferramentas da gestão por resultados, como metas, indicadores, formas de contratualização e outras ações administrativas que tornem os governos mais eficientes e efetivos.

Se o candidato a prefeito não estiver falando dessa agenda de modernização da burocracia, desconfie que ele não poderá cumprir as promessas de campanha.



01 de outubro de 2016
Fernando Abrucio, Folha de SP

O HUMOR DO SPONHOLZ...



01 DE OUTUBRO DE 2016

PF ENCONTRA COMPUTADORES CENOGRÁFICOS EM ESCRITÓRIO DE PALOCCI

NA EMPRESA DE PALOCCI, SÓ MONITORES E TECLADOS SEM COMPUTADORES

EX-CHEFE DE GABINETE DO EX-MINISTRO DE LULA E DILMA DISSE QUE COMPUTADORES FORAM TROCADOS POR NOTEBOOKS (FOTO: REPRODUÇÃO/PF)


Nas buscas realizadas na segunda-feira, 26, na sede da consultoria Projeto, empresa do ex-ministro Antonio Palocci, em São Paulo, a Polícia Federal se deparou com um escritório onde as estações de trabalho possuíam teclados, mouses e monitores, mas nenhum gabinete de computador (ou desktop).

O caso chamou a atenção do delegado da PF Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, que cumpria a ordem de buscas no local, e telefonou para o responsável pela prisão do ex-chefe de gabinete do ex-ministro Branislav Kontic, que questionou o investigado sobre o fato. Sanfurgo foi então informado que, na versão de Kontic, os computadores eram velhos e foram substituídos por notebooks.

“Entretanto, causa espécie a suposta substituição dos computadores ‘velhos’ por notebooks sem a retirada dos monitores das bancadas, assim como teclados, mouse e fios, fato que mereceria
esclarecimentos”, assinala o delegado Sanfurgo em relatório que também embasou o pedido do delegado Filipe Hille Pace para pedir a preventiva de Palocci e Kontic, suspeitos de obstruírem o acesso da PF às provas.

Nesta semana, por ordem do juiz Sérgio Moro, o Banco Central bloqueou as contas pessoais de Palocci e também as da Projeto. Na conta da empresa de consultoria foram localizados R$ 30.064.080,41. Já nas três contas pessoais do ex-ministro, a malha fina do Banco Central encontrou R$ 814.648,45.



01 de outubro de 2016
diário do poder

CRÉDITO CONSIGNADO

MP PROCESSA INSS E FINANCEIRA POR USO DE DADOS SIGILOSOS PARA OFERECER EMPRÉSTIMO

TIFIM OBTEVE NOME E ENDEREÇO DE APOSENTADOS E PENSIONISTAS RECÉM-CADASTRADOS


O INSS E A TIFIM RECUPERADORA DE CRÉDITO PODEM SER CONDENADAS AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÕES POR DANOS MORAIS INDIVIDUAIS E COLETIVOS (FOTO: EBC)


O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou uma ação civil pública contra o INSS e a Tifim Recuperadora de Crédito e Cobranças Ltda. pelo uso de dados pessoais de beneficiários da previdência para a oferta de crédito consignado.

Segundo a denúncia, a empresa obteve as informações sigilosas e enviou correspondências a aposentados e pensionistas com propostas para a concessão de empréstimos.

A Procuradoria pede que a Tifim seja proibida de oferecer produtos ou serviços com uso de dados obtidos ilegalmente. Ao final do processo, o MPF quer que a Justiça condene o INSS e a empresa ao pagamento de indenizações por danos morais individuais e coletivos. A ação requer ainda que a autarquia federal seja obrigada a implementar medidas que garantam o sigilo de dados pessoais sob seus cuidados e deem publicidade a episódios de violação.

Segundo o Ministério Público, embora ainda não haja comprovação do modo como os dados foram disponibilizados à Tifim, as provas obtidas são suficientes para a responsabilização do INSS e da empresa pelo vazamento das informações.



01 de outubro de 2016
diário do poder

EX-DONO DE PRÉDIO DO INSTITUTO LULA IMPLICA COMPADRE DE EX-PRESIDENTE NA NEGOCIATA

'ÉPOCA' ENTREVISTOU O VENDEDOR DO PRÉDIO PAGO PELA ODEBRECHT

ROBERTO TEIXEIRA, ADVOGADO COMPADRE DE LULA, COMANDOU A NEGOCIAÇÃO, SEGUNDO O EX-DONO DO IMÓVEL.


Lula ainda era presidente quando seu compadre e advogado Roberto Teixeira negociou a compra por R$ 6,8 milhões de um prédio de três andares na Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo, em nome de um laranja da empreiteira Odebrecht, que pagou a conta. 
O prédio se destinaria à instalação do Instituto Lula.

A negociata foi confirmada pelo próprio antigo proprietário do imóvel. Segundo seu relato à revista Época, que circula neste fim de semana, Teixeira fez uma oferta final e anunciou: “É pegar ou largar”. 
Esse negócio sujo foi um dos fatores determinantes da prisão do ex-ministro Antonio Palocci, que chefiou o ministério da Fazenda no governo Lula e a Casa Civil da Presidência da República no governo Dilma Rousseff. 
“Teixeira era o coordenador da compra, o maestro, e disse que era pegar ou largar. A transação foi no escritório dele”, disse Fernando Baldassarri, antigo proprietário, que completou: “A transação no escritório dele”.

A escritura comprova que a assinatura da venda foi feita no escritório de Teixeira. Desde 1º de fevereiro de 2010 o advogado tentava adquirir e preparar uma nova sede para o Instituto Lula. Nesse dia, o advogado recebera o primeiro e-mail sobre o imóvel da Vila Clementino, com dados passados por uma corretora.
A ESCRITURA DO NEGÓCIO SUSPEITO.

O pecuarista José Carlos Bumlai, fazendeiro amigo de Lula, citou o episódio em depoimento. Disse ter sido procurado pela então primeira-dama, Marisa Letícia, com a ideia de “constituir um espaço institucional para o ex-presidente”. 

O pecuarista afirmou que não tinha dinheiro para comprar o imóvel na Vila Clementino. O empresário Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht, juntou-se então à empreitada. 
A polícia investiga se o dinheiro para a compra saiu da cota de propina repassada pela construtora Odebrecht a Palocci, como aponta uma anotação de R$ 12,4 milhões, acompanhada do termo “Predio IL”, em uma planilha decifrada pelos investigadores da Lava Jato. IL são as iniciais de Instituto Lula, segundo os invstigadores.

A revista relata que antes de assinar a venda, Fernando Baldassarri perguntou ao futuro proprietário, Dermeval Gusmão, qual seria o uso do imóvel. “Ele pôs a mão perto de mim e disse: ‘Você vai saber depois que ficar pronto’”, afirmou Baldassarri. Gusmão foi levado a depor na segunda-­feira, dia 26, por mandado de condução coercitiva. Amigo íntimo de Marcelo Odebrecht e sócio da D.A.G. Construtora, Gusmão funcionou como “laranja” do negócio, de acordo com as investigações.

Agentes da PF rastrearam cada passo da transação a partir de e-mails e anotações no calendário de Marcelo Odebrecht. Meticuloso, o empresário deixou rastros de várias etapas da negociata. 
Em 21 de setembro de 2010, afirmou em um e-mail que estava preo­cupado com a situação do laranja, o Demé, como era chamado. “Se houver uma fraude a execução, por exemplo, o prejuízo é dele (sic). Estou preocupado com a compradora, a DAG”, afirmou Marcelo a um interlocutor.

Na reta final das tratativas, o empresário intensificou as conversas com Branislav Kontic, braço direito de Palocci. Pelo auxiliar, Palocci era informado sobre cada risco da aventura. 
Como de hábito, Marcelo usava siglas para se referir aos outros – RT era Roberto Teixeira, de acordo com os investigadores. 
“Chefe, referente ao prédio institucional, RT adiou para esta quinta-feira. Vamos fazer conforme orientado, mas gostaria de compartilhar o cenário/risco abaixo com você. 
O Risco na prática parece ser de o terreno ficar enrolado por um tempo e/ou termos custos adicionais aos previstos”, diz Marcelo em e-mail de 22 de setembro de 2010. Não se sabe ainda quem é o “chefe” a quem o poderoso empresário se dirigia.

Resolvidas as pendências, a Odebrecht cuidaria da reforma do local. Em 28 de setembro de 2012, a D.A.G. Construtora passou o controle do imóvel para uma subsidiária da Odebrecht Realizações Imobiliárias. 
Por motivos ainda desconhecidos pelos investigadores, os planos para a nova sede do Instituto Lula não foram concluídos e a Odebrecht vendeu o prédio de vez em 5 de junho de 2013 para a Mix Empreendimentos e Participações, uma firma do empresário William Baida, dono da rede Sinal de concessionárias de veículos. 
“Queria comprar esse imóvel há 15 anos. Se eu soubesse que esses caras estavam envolvidos nisso, jamais teria me metido”, afirmou Baida.

Os detalhes da operação importam não apenas pelo episódio em si, mas por confirmar a solidez de uma evidência crucial para a Operação Lava Jato: a planilha de propinas da Odebrecht. 
Ela foi apreendida meses atrás em e-mail de Fernando Migliaccio, um ex-diretor da empreiteira. Registros do imóvel em cartório coincidem com os dados na planilha. Isso indica que ela é um documento confiável.

A compra do imóvel na Vila Clementino atendeu a um padrão comum em operações desvendadas pela Lava Jato. O dinheiro entrou na transação disfarçado por um laranja, enquanto, no mesmo período, segundo os investigadores, o então presidente Lula ajudava a empreiteira. 
A Polícia Federal achou e-mails da Odebrecht, de dezembro de 2009, em que executivos pediam uma mudança na agenda de Lula para que ele ajudasse a Braskem, a petroquímica da Odebrecht, num negócio no México. O pedido acabou realizado em 23 de fevereiro de 2010.


01 de outubro de 2016
diário do poder

DELAÇÃO REVELA COMO PROPINA DA TRANSPETRO CHEGAVA ATÉ RENAN

NOVA DELAÇÃO DA LAVA JATO PÕE RENAN NA ROTA DA PROPINA DO PMDB

INVESTIGADO EM OITO INQUÉRITOS NO STF, RENAN PODE SEGUIR DESTINO DE DILMA E CUNHA (IMAGEM: TVEJA)


A derrocada de quem ousou desafiar as instituições brasileiras foi destino comum e contundente para protagonistas dos maiores escândalos da história política do Brasil nos últimos meses. 
Após as quedas da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) volta à alça de mira do combate à corrupção e vive o início de uma contagem regressiva até o desfecho esperado pela vigilância cidadã dos órgãos de controle e da opinião pública no Brasil.

A convicção de que as técnicas de escapismo de Renan não sobreviverão ao próximo episódio da Operação Lava Jato tem origem na disposição do carregador de malas de propinas do PMDB para dedurar como funcionava o delivery do esquema do petrolão montado na subsidiária da Petrobras, a Transpetro.

De acordo com reportagem de capa da edição desta semana da Revista Veja, o propineiro Felipe Parente fechou acordo de delação para contar o destino das malas de dinheiro que carregava para Renan Calheiros e outros coronéis peemedebistas.

VEJA TRAZ REVELAÇÕES SOBRE RENAN

Cerco fechando


Não será a primeira vez que o nome do senador alagoano estará ligado ao esquema de corrupção. O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, deixou de ser homem de confiança de Renan quando revelou que repassava R$ 300 mil mensais ao presidente do Senado.

Há três dias, o ministro do STF Teori Zavascki prorrogou até novembro um dos oito inquéritos em que Renan é investigado na Operação Lava Jato, pela suspeita de receber R$ 1 milhão do doleiro Alberto Youssef.

O senador tem negado todas as acusações e suspeitas.



01 de outubro de 2016
Davi Soares, diário do poder

CANDIDATOS DO PMDB EVITAM QUALQUER ASSOCIAÇÃO COM TEMER EM SUAS CAMPANHAS



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Charge do Montanaro, reprodução do UOL











Há algo em comum nas duas eleições mais importantes do ano. Com medo de perder votos, os candidatos do PMDB no Rio e em São Paulo decidiram esconder Michel Temer de suas campanhas. Ninguém quer aparecer ao lado do presidente, que passou a ser visto como um espantalho de eleitores.
Na disputa carioca, Pedro Paulo tenta ignorar a existência de Temer. Apesar de contar com o maior tempo de propaganda, o peemedebista não exibiu nenhuma imagem do correligionário. Nos debates, ele tem sido chamado de “golpista” — o deputado era aliado do PT, mas votou a favor do impeachment na Câmara.
A omissão de Temer provoca mais estranhamento porque três ex-presidentes participam ativamente da campanha no Rio. Fernando Henrique Cardoso pede votos na TV para o candidato do PSDB, Carlos Roberto Osório. Nos últimos dias, Lula e Dilma Rousseff subiram no palanque de Jandira Feghali, do PCdoB.
MARTA QUER DISTÂNCIA – Temer também é o grande ausente na eleição de São Paulo, onde votará no domingo. Marta Suplicy tem se esforçado para evitar a associação com o aliado. Mesmo assim, seu comitê atribui a queda recente nas pesquisas à impopularidade dele. O fantasma de retirada de direitos dos mais pobres, representado pelas reformas trabalhista e previdenciária, passou a assombrar a senadora.
A rejeição ao presidente se transformou na principal esperança de Fernando Haddad para ultrapassar Marta e voltar a sonhar com a ida ao segundo turno. Em ato na noite de terça (27), o petista iniciou o discurso com a palavra “Primeiramente”. A plateia entendeu a deixa e respondeu com um sonoro “Fora Temer”.
Na semana decisiva, o tucano João Doria exibiu o apoio de FHC no horário eleitoral. Lula ainda não apareceu no programa petista, mas participou de duas atividades públicas com Haddad. O prefeito só evitou aparecer com Dilma — afinal, a capital paulista concentrou as maiores manifestações a favor do impeachment.

01 de outubro de 2016
Bernardo Mello Franco
Folha

COMO A PETROBRAS É GRANDE, O ATUAL GOVERNO JÁ DECIDIU REDUZI-LA À METADE

Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo


Nos idos dos anos 80, quando a cultura de baias corporativas ainda não existia e as pessoas trabalhavam em pequenas salas, normalmente com um ou dois funcionários, existia na Petrobras uma “senha” para entrar na sala de um colega. O visitante batia na porta e dizia: “A Petrobras é grande”, ao que o dono da sala, se disponível, respondia: “Vamos fazê-la maior”.

Hoje é o oposto. Dentro das salas privativas, que agora são exclusividade de gerentes, só são bem-vindos os vendedores, os que cancelam projetos e os que não questionam a míngua dos investimentos e recursos.

Também pudera: após a conclusão do atual plano de privatização (ou no neologismo: desinvestimento), que venderá um total de 34 bilhões de dólares, só restará metade da empresa e, vamos todos torcer, uma dívida pagável. Hoje se tem uma empresa e uma dívida impagável. E o governo que salva bancos como o Panamericano ou o Votorantim não considera a possibilidade de salvar a maior empresa do país.

ORIGEM DA DÍVIDA – Parte da dívida se origina de superfaturamentos, outra parte em negócios que deram errado por planejamento megalomaníaco, outra parte, descobriu-se recentemente, foi simplesmente transferida para empresas privadas sem que houvesse contrapartida alguma em produtos ou serviços. O esquema de propinas atinge empresas brasileiras, como OAS e Odebrecht, e estrangeiras, como a SBM e Mitsui Steel.

Mas não se deve esquecer da última parte da dívida: a que foi contraída para executar projetos que deram certo: as vaquinhas que hoje garantem o leite.

VENDENDO O FILÉ – Fragilizada no momento, obviamente a Petrobras agora se obriga a vender os projetos que deram certo, suas vacas leiteiras, pois os capengas, ninguém quer. E assim a Petrobras vende a malha de gasodutos do Sudeste, por onde escoa com exclusividade de 60 a 80% de toda a produção e do consumo brasileiro. A canadense Brookfield pagará 4 bilhões de dólares pelos dutos. Foi divulgado 5 bilhões, mas o último bilhão levará 5 anos para ser pago, e neste período a própria Petrobras terá pago bilhões para a Brookfield transportar seu gás, então é como se esse bilhão nem existisse.

Além dos dutos, foram vendidas as distribuidoras de gás nos estados, para os japoneses da Mitsui (que também foi envolvida nas propinas das construções das sondas, como sócia das empreiteiras), por 700 milhões de dólares (que a Mitsui tem prontamente disponível, pois a própria Petrobras pagou fortunas superfaturadas pelos navios que a empresa construiu com ajuda das empreiteiras).

CAMPOS DE PRODUÇÃO – Na parte da exploração e produção,foi vendido o campo de Carcará para a norueguesa Statoil, sem o risco exploratório (mas ainda com risco de produção) por 1 bilhão de dólares (novamente, são noticiados 2 bilhões, mas a segunda metade só será paga daqui a anos – o que para um devedor feito Petrobras é mesma coisa que nada). Circula o comentário (correto) DE que cada barril de óleo foi vendido ao preço de uma latinha de coca-cola: 1 dólar.

Para completar, foram vendidos os ativos da Argentina e Chile. Entraram 1,2 bilhões de dólares e foram as vendas mais sensatas (sem analisar em detalhes os valores).

LA VAÍ A BR… – Na reta das próximas vendas está a BR distribuidora, que, de tão importante, representa o logotipo da Petrobras. O clássico “BR” verde e amarelo, visto de longe nas ruas e rodovias, mostra a onipresença do Estado brasileiro em todos os rincões deste continental país, mas isso vai acabar.

A compradora paga até US$ 10 bilhões, mas tem condições: ela quer mandar totalmente na empresa e quer usar o seu logotipo, e não o da BR, nos postos. A Shell é uma das que almejam a jóia da coroa.

Mas quem se interessa?



01 de outubro de 2016
Carlos Newton